UBÁ OFICIALIZA DIA DA RENOVAÇÃO CARÍSMÁTICA CATÓLICA E LEVANTA DISCUSSÕES SOBRE NEUTRALIDADE DO ESTADO
A Câmara Municipal de Ubá (MG) aprovou, e o Executivo sancionou, em 7 de abril de 2026, a lei que institui o “Dia Municipal da Renovação Carismática Católica (RCC)”, a ser celebrado anualmente em 17 de agosto. A data, que remete à fundação do movimento no Brasil, passa a integrar o calendário oficial do município.
De acordo com o texto legal, a iniciativa tem como finalidade reconhecer a atuação da RCC no campo religioso e social, além de incentivar a realização de atividades como encontros, celebrações e ações comunitárias. A norma também prevê a possibilidade de apoio institucional, como divulgação e cessão de espaços públicos, desde que não haja custos diretos ao erário e que seja respeitado o princípio da laicidade do Estado.
Iniciativas dessa natureza costumam dialogar com um princípio constitucional relevante: o caráter laico do Estado. A legislação brasileira assegura a liberdade de crença e o livre exercício religioso, ao mesmo tempo em que estabelece a necessidade de neutralidade do poder público em relação a diferentes tradições. Na prática, isso implica a adoção de medidas que evitem distinções formais entre crenças, ainda que reconheçam sua importância sociocultural.
Já existe em Ubá o Dia do Evangélico, celebrado em 20 de novembro, concentrando eventos de louvor, adoração e pregações na Praça Guido Marlieri, reunindo a comunidade local. O evento é apoiado pela Prefeitura.
SELETIVIDADE DA MAIORIA
A repercussão de medidas como essa pode ser observada também no debate público, especialmente em ambientes digitais. Comentários sobre o tema frequentemente reúnem tanto manifestações de apoio quanto críticas, algumas delas marcadas por divergências mais acentuadas entre diferentes visões religiosas. Em certos casos, esse tipo de discussão evidencia episódios de intolerância, seja por meio de questionamentos dirigidos ao grupo contemplado, seja por comparações com outras tradições religiosas.
Situações semelhantes tendem a surgir quando se consideram outras expressões de fé presentes no país, como religiões de matriz africana — a exemplo do Candomblé e da Umbanda — ou ainda diferentes correntes religiosas e filosóficas. A forma como cada uma delas é recebida no espaço público pode variar, refletindo aspectos históricos, culturais e sociais da sociedade brasileira.
Nesse cenário, a instituição do “Dia Municipal da RCC” em Ubá se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas que relacionam poder público e manifestações religiosas. Ao mesmo tempo em que registra a presença de determinados grupos na vida local, esse tipo de medida também se conecta a debates recorrentes sobre diversidade religiosa, convivência plural e os contornos da atuação estatal nesse campo.
