terça-feira, junho 9, 2026

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ENTRE LAMA E AS CONTAS: MORADORES ATINGIDOS POR ENCHENTE EM UBÁ, RECLAMAM DE NEGATIVA DA COPASA SOBRE CANCELAR COBRANÇA OU REALIZAR DESCONTOS

Dep. Grego publicou em suas redes vídeo com solicitação ao Governador do Estado.

Mais de três meses após a enchente histórica que devastou bairros e a região central de Ubá em fevereiro de 2026, moradores atingidos pela tragédia afirmam viver um novo drama: a negativa da Copasa em cancelar ou revisar cobranças de água e esgoto para famílias que perderam praticamente tudo. A revolta aumentou após respostas oficiais da companhia citarem a regulamentação da ARSAE-MG para negar pedidos de cancelamento de faturas. Segundo o documento encaminhado aos consumidores, a exclusão da cobrança somente poderia ocorrer em situações específicas, como demolição da edificação ou destruição total ou parcial do imóvel, comprovada por laudos oficiais.

Durante os dias que se seguiram à enchente que atingiu Ubá, o prefeito, o vice-prefeito, deputados da região e o próprio governador de Minas Gerais anunciaram que haviam solicitado à Copasa medidas emergenciais para aliviar a situação das famílias afetadas. Entre as promessas divulgadas estava a isenção temporária da cobrança de água e esgoto para os moradores atingidos pela tragédia.

Nas redes sociais, o deputado Grego publicou um vídeo comemorando a medida e escreveu: “Pedido feito, pedido atendido. Solicitei ao governador Mateus Simões a isenção da cobrança da Copasa para as famílias afetadas pelas chuvas na Zona da Mata. Em Ubá, a prefeitura será responsável por identificar os atingidos e garantir o benefício.”

No entanto, diante das negativas enviadas posteriormente pela Copasa a diversos moradores, cresce o sentimento de frustração entre os atingidos. Muitos questionam se a promessa anunciada publicamente foi realmente implementada ou se acabou esbarrando em exigências burocráticas que excluíram justamente as famílias que mais precisavam de apoio.

Para muitas famílias, a resposta soou como um insulto.

“Perdi móveis, roupas e minha dignidade.”

A aposentada Maria Aparecida Silva, moradora da Rua Antônio Batista, afirma que a água da enchente chegou a quase dois metros dentro de sua casa.

“Perdi geladeira, sofá, guarda-roupa, documentos. A casa ficou semanas sem condições de uso. Agora me dizem que não tenho direito porque não apresentei um laudo de destruição? Parece que quem pede isso nunca pisou numa casa inundada.”

“A conta chegou, a ajuda não.”

O comerciante José Roberto Almeida diz que precisou fechar seu pequeno mercado por quase um mês. “Os políticos apareceram na enchente, tiraram foto na lama e prometeram ajuda. Depois sumiram. A conta da água chegou normalmente. A taxa de esgoto chegou.”

O documento da Copasa reproduz o artigo 95 da resolução da ARSAE-MG, que prevê cancelamento ou alteração de faturas em situações específicas, como demolição ou destruição comprovada do imóvel. Entretanto, moradores questionam se a interpretação burocrática da norma está ignorando a dimensão humana da tragédia.

“Quem perdeu tudo precisa primeiro reconstruir a vida ou correr atrás de laudos e documentos?”, questiona a empresária de produção de salgados, Sandra Ferreira.

Políticos prometeram respostas rápidas.

Durante a calamidade, autoridades municipais, estaduais e federais prometeram auxílio emergencial, recuperação da infraestrutura e apoio às famílias afetadas. Parte dessas promessas ainda são aguardadas, como a isenção de IPTU e de outras taxas municipais para imóveis atingidos.

“Prometeram reconstrução. Entregaram formulários.

O pedreiro Carlos Henrique Souza, que perdeu ferramentas e equipamentos de trabalho, resume a indignação de muitos moradores:

“Na televisão era solidariedade. Na prática, virou papelada. Quem está sem dinheiro não precisa de discurso. Precisa de solução. Esse negocio dos R$7.300 do Lula nem vi o cheiro. É um tal de conta gov. Cê ta doido!”