UBÁ: VIATURAS DA POLÍCIA CIVIL SÃO FOTOGRAFADAS EM FRENTE RESIDÊNCIA DE EX-PREFEITO DURANTE OPERAÇÃO EPICENTRO. JUSTIÇA BLOQUEIOU R$ 250 MILHÕES

Viaturas da Polícia Civil de Minas Gerais foram fotografadas na manhã desta quinta-feira (22) em frente ao prédio onde reside o ex-prefeito de Ubá, Edson Teixeira Filho. O registro ocorre no terceiro dia da Operação Epicentro, ação conjunta do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Polícia Civil, que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos e na construção do Centro Administrativo do município.
A operação foi deflagrada nos dias 19, 21 e 22 de outubro, com cumprimento de mandados judiciais em Ubá e em outras cidades mineiras. Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público, as investigações abrangem possíveis crimes de organização criminosa, peculato, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
Investigação envolve construção do Centro Administrativo
Um dos principais eixos da investigação é a construção do Centro Administrativo de Ubá, iniciada em 2022, durante a gestão de Edson Teixeira Filho. De acordo com o MPMG, análises técnicas identificaram indícios de manipulação no procedimento licitatório relacionado à obra. Os investigadores também apuram possíveis prejuízos aos cofres municipais decorrentes da negociação de imóveis públicos utilizados como parte do pagamento do contrato administrativo.
Segundo o Ministério Público, avaliações técnicas apontaram que esses imóveis teriam sido negociados por valores inferiores aos considerados adequados, o que pode ter provocado prejuízo milionário ao município. A investigação também examina possíveis irregularidades ambientais e urbanísticas relacionadas à permuta de áreas verdes e espaços destinados a equipamentos comunitários. Relembre o caso AQUI
Contratos públicos também estão sob investigação
Além das questões relacionadas ao Centro Administrativo, a força-tarefa apura possíveis desvios de recursos públicos por meio de contratos direcionados a empresas e empresários supostamente ligados a agentes políticos investigados.
Entre os alvos abrangidos pelas medidas judiciais, segundo o órgão, estão autoridades e ex-autoridades do Executivo municipal, secretários e ex-secretários, assessores, empresários e pessoas jurídicas.
Entre os contratos examinados estão aqueles relacionados à limpeza pública e ao manejo de resíduos sólidos. As apurações incluem ainda contratações realizadas durante o período de calamidade pública provocado pelas enchentes que atingiram Ubá em fevereiro de 2026.
Conforme o MPMG, os investigadores reuniram documentos e depoimentos que apontariam possíveis fraudes em licitações e contratações. Também são apuradas suspeitas de utilização de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, em operações financeiras, além de possíveis práticas de intimidação contra pessoas que contrariassem os interesses dos grupos investigados.
Operação mobilizou equipes
As diligências ocorreram em diferentes etapas ao longo da semana.
No dia 19 de outubro, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete ordens de indisponibilidade de bens em Ubá, Juiz de Fora, Leopoldina e Visconde do Rio Branco.
Na terça-feira (21), as equipes cumpriram outros 28 mandados de busca e 17 ordens de indisponibilidade de bens, com diligências em Ubá, Divinésia, Belo Horizonte e Congonhas.
Nesta quinta-feira (22), foram cumpridos mais quatro mandados de busca e quatro medidas de constrição patrimonial, todas em Ubá.
Segundo o balanço divulgado pelo Ministério Público, a operação totalizou 101 mandados judiciais cumpridos nos três dias de trabalho. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Justiça bloqueia cerca de R$ 250 milhões
Outro dado divulgado pelo MPMG é o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados. A Justiça também determinou a indisponibilidade de 24 imóveis que haviam sido permutados pelo município no contexto da construção do Centro Administrativo.
Durante as diligências, foram apreendidos veículos, máquinas e outros materiais considerados relevantes para a investigação. Os itens recolhidos estão sendo analisados pelas equipes responsáveis. A força-tarefa contou com a participação de integrantes do Ministério Público, sete delegados de Polícia Civil e aproximadamente 150 investigadores e escrivães, além de equipes da Polícia Militar e de outros órgãos de combate ao crime organizado.
Fonte: Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)