sábado, setembro 5, 2026

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UBÁ: JORNALISTA SOFRE PRESSÃO PARA PUBLICAR PESQUISA ELEITORAL E PROFISSIONAL LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE MÉTODOS DE QUESTIONÁRIO

Uma pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MG-03946/2026, realizada em Ubá pela empresa F5 Atualiza Dados, passou a circular em veículos de comunicação e redes sociais, apresentando Mônica Vallone (MDB) na liderança da disputa para deputada federal e Natal da Ferrari na corrida para deputado estadual.

A pesquisa foi realizada com eleitores somente de Ubá. O método utilizado foi quantitativo, do tipo survey, na aplicação domiciliar de questionários estruturados, distribuídos aleatoriamente por bairros separados nas regionais. Realizada nos dias 29 e 30 de agosto, a pesquisa ouviu 1.000 pessoas, com margem de erro informada de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A contratação foi feita pela I9 Comunicação.

Segundo os dados divulgados, Mônica Vallone aparece com 36,4% das intenções de voto para deputada federal. Para deputado estadual, Natal da Ferrari registra 25,5%, seguido por Cabo Rominho, com 19,7%.

O levantamento também apresenta avaliação da administração municipal e da reconstrução de Ubá após as enchentes.

Questionário levanta questões metodológicas

O Jornal Ubaense Online analisou o questionário utilizado na coleta das entrevistas e identificou pontos que merecem esclarecimentos.(Acesse aqui)

Das 17 perguntas apresentadas, sete tratam diretamente de enchente, reconstrução, avaliação da Prefeitura e comportamento eleitoral na última eleição municipal. Essas questões aparecem antes das perguntas sobre deputado federal e deputado estadual.

A sequência levanta uma questão metodológica: a exposição do entrevistado a um conjunto de perguntas sobre a administração municipal imediatamente antes da intenção de voto para deputados pode, talvez, produzir algum efeito de indução sobre as respostas.

A análise não permite afirmar que houve fraude ou manipulação. O questionamento é exclusivamente sobre a metodologia e busca esclarecimentos da empresa responsável. Outro ponto observado está na avaliação do governo municipal. As opções apresentadas são “ótimo”, “bom”, “ruim”, “péssimo” e “não sabe/não respondeu”, sem a alternativa “regular”.

A ausência dessa opção, isoladamente, não caracteriza irregularidade, mas é uma escolha metodológica que pode influenciar a distribuição das respostas.

Perguntas para deputados são espontâneas

Nas perguntas sobre deputado federal e deputado estadual, o questionário determina que a resposta seja espontânea e que não sejam sugeridos nomes. A questão merece esclarecimento diante das regras estabelecidas pela legislação eleitoral para pesquisas, especialmente quanto à apresentação dos nomes de candidatas e candidatos após a publicação dos editais de registro.

A leitura do questionário, entretanto, não permite concluir pela existência de irregularidade. A dúvida objetiva é como a empresa operacionalizou essa exigência nas perguntas classificadas como espontâneas e como os nomes foram posteriormente registrados e codificados.(Registro aqui)

Pressão pela publicação e tom de ameaça velada

A análise da pesquisa ocorreu depois que o jornalista Amarildo Oliveira Netto, fundador e proprietário do Jornal Ubaense Online, foi inicialmente procurado e pressionado para publicar o material que estava sendo divulgado em outros canais de comunicação.

Na primeira intervenção, o jornalista solicitou acesso ao material integral da pesquisa, incluindo o questionário utilizado, justamente para que o conteúdo pudesse ser analisado antes da publicação.

Posteriormente, houve nova abordagem cobrando a publicação. Mais uma vez, o jornalista solicitou acesso ao material completo e esclarecimentos sobre a metodologia.

Após as solicitações, o contato passou a adotar um tom mais agressivo.

Em uma das mensagens, enviada por um número de celular, consta:

“Bom dia!!! Não publicou ainda??? Tem alguma previsão???”

Na sequência, foi enviada outra mensagem:

“Jornalista igual a vc pagando bem até a verdade fala!!!”

A frase foi recebida pelo jornalista como uma tentativa de intimidação e uma ameaça velada ao exercício profissional, especialmente porque ocorreu depois de reiteradas solicitações de acesso ao material e de esclarecimentos sobre a pesquisa. Diante da situação, o profissional acionou o jurídico do jornal, conversou com sua equipe e optaram por realizar a publicação, sem o acesso ao material, mas com os pontos que já tinham sido questionados na redação.

O episódio é registrado nesta reportagem porque faz parte do contexto em que o levantamento foi analisado pelo Jornal Ubaense Online.

O veículo considera que nenhum jornalista deve ser pressionado a publicar determinado conteúdo sem antes ter acesso às informações necessárias para realizar sua própria apuração.

 

O que precisa ser esclarecido

A reportagem não afirma que a pesquisa seja fraudulenta ou que seus resultados tenham sido manipulados.

Os questionamentos são objetivos:

1. Qual a justificativa técnica para a ordem das perguntas?

2. Qual o motivo da ausência da alternativa “regular” na avaliação do governo?

3. Como foram operacionalizadas as perguntas espontâneas para deputado federal e estadual?

4. Como foram controladas e auditadas as entrevistas realizadas?

São questões que podem ser respondidas tecnicamente pela empresa responsável.

O Jornal Ubaense Online permanece aberto à manifestação da F5 Atualiza Dados, da I9 Comunicação, dos candidatos citados e de qualquer parte interessada que queira apresentar esclarecimentos ou contestar os pontos levantados.

NOTA DA REDAÇÃO

O fato de uma pesquisa estar registrada no TSE não significa que veículos de comunicação estejam obrigados a reproduzir seus resultados sem análise. O registro eleitoral permite a fiscalização e estabelece informações que devem ser disponibilizadas sobre a pesquisa, mas não transforma o jornalista em mero reprodutor do material fornecido por terceiros.

Cabe ao profissional verificar documentos, metodologia, contexto e eventuais divergências antes de publicar.

A publicação de uma pesquisa eleitoral exige transparência. E a análise de sua metodologia faz parte do trabalho jornalístico.