quarta-feira, junho 10, 2026

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POLICIAL CIVIL É ALVO DE OPERAÇÃO QUE INVESTIGA CARTEL DE PLACAS NA ZONA DA MATA MINEIRA

 

Materiais apreendidos durante operação ‘Guildas Medievais’ na Zona da Mata e no RJ — Foto: MPMG/Divulgação

Um policial civil foi alvo da segunda fase da operação Guildas Medievais, realizada nesta quarta-feira (10/06), que investiga um cartel de placas de veículos atuante em cidades da Zona da Mata mineira e no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o agente é suspeito de repassar informações sigilosas da Polícia Civil ao grupo criminoso. O nome do policial e a cidade em que atua não foram divulgados.

Nesta etapa da ação, o MPMG e a Polícia Civil investigam a existência de um possível núcleo de corrupção dentro da associação criminosa, com indícios de participação de agentes públicos. Foram cumpridos oito mandados judiciais em Ubá, incluindo dois de busca e apreensão, um de afastamento de servidor e medidas de monitoramento eletrônico. O MPMG não confirmou se o servidor afastado é o policial civil investigado.

A operação apura uma organização criminosa que controlava o mercado de fabricação e estampagem de placas automotivas na Zona da Mata e em outras regiões do país. Crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de cartel e organização criminosa estão sob investigação.

Primeira fase da operação

Na primeira fase, realizada em maio, um médico de Ubá foi preso, e, ao todo, foram cumpridos 37 mandados judiciais em Muriaé, Perdões, Ubá, Visconde do Rio Branco, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Entre eles:

  • 19 mandados de busca e apreensão;
  • 10 medidas cautelares de monitoramento eletrônico;
  • 8 suspensões de atividades de empresas ligadas à estampagem e comercialização de placas veiculares.

Mais de R$ 30 mil em espécie, armas de fogo, computadores e celulares foram apreendidos.

Como funcionava o cartel?

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Zona da Mata, o esquema era estruturado em núcleos para garantir o monopólio do setor. O grupo aliciava empresas de placas automotivas para participar do cartel, com práticas como:

  • Fixação artificial de preços e manipulação da oferta de produtos;
  • Controle do faturamento declarado por dezenas de empresas;
  • Distribuição de lucros conforme critérios internos, como tempo de atuação no mercado.

Empresários que resistiam ao esquema eram ameaçados, e o grupo utilizava “laranjas” para ocultar valores e lavar dinheiro obtido ilegalmente.

Informações MPMG/PCMG