GOVERNADOR DE MINAS ANUNCIA IMPLANTAÇÃO DE COLÉGIO TIRADENTES EM LEOPOLDINA. PROFESSORES EMITEM NOTA DE REPÚDIO
O governo de Minas Gerais, Mateus Simões, confirmou a implantação de novas unidades do Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais nos municípios de Muriaé e Leopoldina. O anúncio aconteceu em Ubá, enquanto o município era sede “simbólica” do Estado. A medida integra o plano de expansão da rede educacional vinculada à Polícia Militar de Minas Gerais. Mateus Simões afirmou que metade das vagas das novas unidades será destinada ao público em geral, enquanto os outros 50% serão reservados a filhos de militares.
Criado em 1949, o Colégio Tiradentes é uma instituição pública de ensino básico mantida pelo Estado, oferecendo ensino fundamental e médio em diversas regiões mineiras. Inicialmente voltado à formação educacional de militares e seus dependentes, o modelo foi ampliado ao longo das décadas, consolidando-se como uma referência na rede estadual de ensino. As escolas seguem as diretrizes do sistema estadual de ensino, com gestão administrativa e disciplinar conduzida pela Polícia Militar, aliada à formação pedagógica regular. O modelo é reconhecido por combinar ensino acadêmico com práticas voltadas à cidadania e à disciplina.
COLÉGIO POLIVALENTE DE LEOPOLDINA SE MANIFESTOU COM NOTA DE REPÚDIO
“A comunidade escolar da Escola Estadual Sebastião Silva Coutinho, em Leopoldina/MG, vem a público manifestar seu repúdio à forma como foi conduzido o anúncio da implantação do modelo do Colégio Tiradentes da Polícia Militar em nossa unidade. Trata-se de uma iniciativa que implica mudanças profundas na organização pedagógica, administrativa e na identidade da escola, mas que, no entanto, foi divulgada sem qualquer comunicação prévia à equipe gestora, aos profissionais da educação, aos estudantes e às famílias que compõem esta comunidade escolar.
Causa ainda maior estranhamento o fato de tal medida ter sido realizada às vésperas de um feriado, de maneira abrupta e sem a devida transparência. Isso reforça a percepção de uma decisão imposta de forma arbitrária, sem diálogo com aqueles que vivenciam cotidianamente a realidade da escola pública. Reiteramos que a gestão escolar e toda a comunidade aguardam, com urgência, uma comunicação oficial por parte dos órgãos competentes, bem como a abertura de um espaço legítimo de escuta e debate amplo, democrático e participativo.
Entendemos que mudanças dessa magnitude devem ser construídas coletivamente, em consonância com os princípios que regem o Estado Democrático de Direito. Lamentamos profundamente que posturas institucionais, que sugerem transformações estruturais na educação pública, estejam sendo conduzidas sem o devido respeito aos sujeitos que constituem a escola.
Por fim, reafirmamos nosso compromisso com uma educação pública de qualidade, pautada no diálogo, na participação e na valorização da comunidade escolar.
Não existe educação sem diálogo!!!”
