COMÉRCIO DE UBÁ ESTIMA PREJUÍZO QUE PODE ULTRAPASSAR R$500 MILHÕES APÓS ENCHENTE HISTÓRICA
Um levantamento realizado nas primeiras 30 horas após o pico da enchente de fevereiro de 2026 em Ubá, revela um cenário de devastação sem precedentes no comércio da cidade. O Relatório de Impacto Econômico, elaborado pelo presidente da ACIUBÁ, Elias Coelho Ricardo, analisou 796 respostas válidas via cadastro online de estabelecimentos afetados e aponta para um colapso estrutural com reflexos diretos sobre emprego e renda no município.
Dos participantes cadastrados, 94% dos estabelecimentos tiveram danos graves ou perda total
De acordo com os dados consolidados:
- 78,6% (626 empresas) registraram danos graves.
- 15,5% (123 empresas) declararam perda total.
- 4,4% (35 empresas) tiveram danos leves.
- Apenas 1,5% (12 estabelecimentos) não foram atingidos.
Na prática, 749 estabelecimentos operam com estrutura física comprometida, sendo que mais de uma centena perdeu completamente suas instalações.
Impacto pode ultrapassar R$ 500 milhões.
O prejuízo econômico total estimado varia entre R$ 443 milhões e R$ 503 milhões, somando perdas diretas, impactos indiretos e projeção de faturamento interrompido.
Pelo menos 27 empresas declararam prejuízos individuais superiores a R$ 1 milhão, entre elas:
- Esporte Legal – prejuízo estimado em R$ 9 milhões, com 44 funcionários.
- Hospital São Januário – cerca de R$ 6 milhões em perdas, com 60 funcionários.
- Nova Decor – prejuízo superior a R$ 1 milhão, com 80 funcionários.
Os números evidenciam que o impacto não se limita ao comércio varejista, mas atinge também o setor de serviços e saúde.
Mais de 3.800 empregos já estão em risco
O relatório aponta que mais de 3.800 postos de trabalho diretos estão em risco imediato ou já foram perdidos. Considerando os efeitos indiretos, o impacto total pode alcançar entre 7.600 e 11.400 empregos, o que representa uma parcela significativa da população ativa economicamente de Ubá. Outro dado alarmante é que 51,6% das empresas (411 estabelecimentos) declararam intenção de fechamento temporário ou permanente, agravando ainda mais o cenário de incerteza econômica.
Crédito emergencial é prioridade absoluta
Entre as demandas mais urgentes apontadas pelos empresários, o acesso a crédito emergencial aparece como prioridade em cerca de 80% das respostas. O setor produtivo alerta que, sem linhas rápidas de financiamento, carência ampliada e juros reduzidos, o risco de falência em massa aumenta nos próximos meses.
O relatório destaca que o impacto ultrapassa os muros das empresas. A retração do comércio compromete renda, consumo e a manutenção de serviços essenciais, afetando diretamente milhares de famílias ubaenses. A pesquisa, segundo a ACIUBÁ é considerada altamente representativa, pois abrange a maior parte do comércio formal e semiformal atingido, oferecendo um retrato preciso da dimensão econômica da tragédia.
Diante dos números, lideranças empresariais defendem medidas emergenciais coordenadas entre município, Estado e União para evitar o aprofundamento da crise e acelerar a reconstrução da economia local.
Informações ACIUBÁ
